Alma de Aisha
  

Sede

by-Aisha

 Para Clayton,

a vida não pode morrer...

 

 

Seca-me a boca nas palavras que não proferi,

ecos ensurdecedores rompem o silencio mudo que escolhi

nas amarras que me envolvem sugando da alma que recebi.

  

Perdem-se na sede que o mundo sugere em fontes,

nascentes límpidas dando cor aos olhos feridos

no desamor, rebento parido sem parto, sem dor,

veia seca em jardim florido de tempestades sem nenhuma flor.

  

Sede de vida diante à fonte que a vida imprime

nos corações doentes onde a mácula é o penhor,

do novo ausente, a incerteza do que virá depois,

no sulco vertente, sinto o gosto sem perceber o sabor.

  

Sede... Tenho sede da alma que no mundo perdeu-se,

seca da esperança visto-me do luto diante às vozes que o perdeu

ao silenciar os atos que o levariam ao apogeu...

  

Sede... Tenho sede da ação que gera vida,

nas mãos do menino que o sonho é o hoje até que o sol se ponha,

da noite, ficam apenas as estrelas colorindo os passos perdidos,

de um corpo pequeno e contrito que não merece pagar a pena,

dos então sóbrios vampiros que consagram sua alma à tristeza

em saber que a felicidade é o moinho na roda que o sonho lhe desenha.

  

Sede... Da justiça tão cega, tão distante, tão sofrida,

grito ao mundo na sequidão da minha voz,

abram os ouvidos as fontes e aplaquem a fúria tão só

das almas que trilham os desertos tendo em si apenas areia e pó...

  

30/03/2006

  

(Não existe menino de rua... só os meninos sem chance...)

Caio Lucas

  

 



Escrito por Aisha às 10h00
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Nego

by-Aisha

 

 

Nego-me a cair, não outra vez...

fingir-me lúcida ou dizer que ouço o que nada diz,

refazer caminhos que negam a fé,

pegar a mão que a vida contradiz,

seguir o conselho de quem não sabe quem é.

 

 

Nego-me a cair,

acreditar nas promessas vazias de quem só sabe mentir,

espíritos vencidos, sem paz, sem destino,

olhares egoístas, sem vida, sem brilho,

na noite que tinge o dia que há de vir.

 

 

Nego-me a negar o fato de amar,

de sorrir diante dos abismos por saber voar,

de entregar-me às mesmices de um cotidiano hipócrita

que proferem amanhãs que nunca hão de chegar,

nas orações de um passado de falsas retóricas.

 

 

Nego-me abrigar-me à sombra da covardia

que incidi sobre o mundo em vértices “ais”,

fechar meus olhos, esconder meus passos,

remeter-me ao anonimato dos que não possuem a paz

por alimentarem-se do sangue que nesse chão recai.

 

 

Nego-me a negar o que sou,

romper com meus ideais,

vender minha alma por um pouco da falsa paz.

 

 

28/03/2006

  

 



Escrito por Aisha às 09h59
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Meu novo tempo

by-Aisha

  

 

Ontem não me lembro,

o passado amassou-se no tempo feito papel usado,

rasguei as sombras funestas de vidas paralelas

que não sabiam ainda do céu que havia por trás da janela .

  

 

Se fui ou fiz, não sei,

também pouco importa agora que o sol surgiu outra vez,

vou vestir-me da luz que esse dia me traz,

ser feliz, amar mais, ser amor também,

traçar novas metas, abraçar novos ideais,

trilhar novos caminhos agora margeados por verdadeira paz.

  

 

Ontem não sei se fui capaz ou não,

não sei se vivi ou simplesmente deixei-me levar

pelos mares da vida onde meu barco se fez navegar.

Ontem foi e não mais será,

despediu-se no hoje que acaba de chegar

anunciando o novo nesse amor que quero abraçar.

  

 

 Ontem não me lembro,

vou vivendo meu hoje,

amando simples nessa minha forma de amar,

quanto ao amanhã,

dele ainda escreverei novos versos,

criando rimas conforme os caminhos que resolver trilhar.

  

 

 

02/04/2006

 

 



Escrito por Aisha às 09h58
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Um novo ser
by-Aisha

Desamarre os sapatos,
tire a roupa, afrouxe os cintos,
aflore os sentidos, respire da vida,
tire a gravata, desça dos saltos,
inebrie-se dos sons que acariciam os ouvidos.

Ame mais, abrace um amigo,
dê um sorriso largo e descontraído,
se dê uma nova chance e ame de novo,
refaça o caminho, repense, reflita,
tome novas decisões, faça as pazes consigo.

Sonhe novos céus, talvez em tons rosa,
lambuze sua alma com a fruta colhida do pé,
vista-se da criança, brinque, pule, escreva nova história,
libere as lembranças, reviva sua infância,
reveja os que ama mesmo que seja com os olhos da fé.

Feche os olhos, solte-se, dance,
entregue-se à brincadeira e viva como quiser,
relaxe mais, durma na rede,
seja o hoje seu amanhã, o mesmo que sempre desejou,
seja o que sempre foi no novo que hoje você é.


12/02/2006



Escrito por Aisha às 16h02
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Um dia apenas
by-Aisha


Um dia, apenas um dia e todas as promessas...
Nos corpos acesos
beijos alucinados dando vida ao prazer,
nos pés que tocam o chão, o real explode em grãos de poeira
que sobem aos céus dando novas formas ao que se vê.
 
Reveste a tristeza com o sorriso que traz nos lábios,
abraça a vida como se essa fosse a última hora,
os minutos contados, seguem apressados
dizendo da história que ainda tem a viver.
 
Um dia apenas e tanta vida...
Um mar de emoções elevam os sentidos mergulhados em paixão,
não há temor, nem tão pouco a dor,
os olhos iluminados descansam buscando a paz que nunca alcançaram
pelos prefácios da alegria que um dia pensaram existir.
 
E segue sua jornada,
andarilho sem destino traçando seu caminho nessa história tão sua,
escolhe suas letras pontuando as aventuras de um dia,
apenas um dia,  e o amor, não mais que isso...


05/02/2006



Escrito por Aisha às 16h02
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Sob a luz do sol
by-Aisha
 
 Um dia senti o sol,
deixei-me inundar por seus raios que penetravam meus poros,
correndo em meu sangue alimentava-me com seu calor.
 
Nesse dia, vi no sol a face do amor,
não resisti e entreguei-me na paz com que me olhou
dando-lhe minha alma na plenitude que sou.
 
Naquele dia, tive meus caminhos iluminados por esse sol,
as noites que pensei não terem fim, deram lugar a luz
e pude ver pela primeira vez as sementes germinando o chão que pisei.
 
Foi um dia vivido no espaço do tempo que não contei,
mas o sol fez seu caminho, contou o tempo e perdeu-se num horizonte qualquer,
no corpo, a volta da noite traz o frio abraçando-me mais uma vez.
 
Virá outro dia, outro e mais outros...
Buscarei o sol que amei pelas noites que cegam os sentidos
levando comigo as lembranças que iluminam minha vida com os raios do amor.
 
 
05/02/2006



Escrito por Aisha às 16h01
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Ser eu
by-Aisha

 
Preciso parar, quero parar,
colocar os pensamentos em dia,
olhar para mim mesma, para meus sonhos
e os desejos que fizeram de mim o que sou.
 
 
Quero achar a saída, um caminho que seja,
quero levantar minha cabeça
e enxergar o horizonte, qualquer um,
mas que tenha nele o sol.
 
 
Quero estrelas e luas, não importa a fase,
noite em verão iluminada, mesmo tendo lágrimas na face,
sentir a força que impulsiona levando-me a crer
e seguir marcando o chão com minhas próprias pegadas...
 
 
Preciso sonhar, abraçar a realidade como o faz a ilusão
e voar por quantos céus minhas asas conseguirem abraçar,
fechar os olhos e enxergar com a verdadeira visão.
Aí então serei eu, livre do que sempre fui, apenas serei...
 
 
24/01/2006



Escrito por Aisha às 16h00
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Roda viva
by-Aisha


No olhar,
o universo.

Sopra o vento,
pensamentos soltos,
um único  momento.

Sai da roda,
gira a vida,
dádiva sem esmolas.

Rodopia,
vestida da criança,
dança.

E a roda gira,
solta ao vento,
um pensamento,
nesse momento,
o universo...

02/02/2006



Escrito por Aisha às 16h00
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Quanto ao amor
by- Aisha

 
Quanto ao amor, nada a dizer,
apenas que amo e amando entreguei-me.
Não há palavras que meçam meu amor, meu querer,
sou sua, sabemos,
mas o ser apega-se ao sentir
e sentindo sigo pelos caminhos da paixão.
 
 
Não há tempestades em meus céus de verão,
nenhum som ecoa dos abismos que já não existem,
sou sol e lua,
abraçando a terra, visto-me de chuva
e correndo pelos rios de você,
me deixando envolver pela boca que me ama...
 
 
É seu o meu amor, dele faça seu uso,
toque,  grite, abrace, beije, dance
ou então faça simples...
assim como eu, ame...

 
25/01/2006



Escrito por Aisha às 15h59
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Pensei amor
by-Aisha
 
 
Pensei, e o sonho aconteceu,
amei talvez mais que devia, ou não,
entreguei-me aos desejos onde a paixão me atendia
e dancei em sincronia com os passos que acompanhavam os meus.
 
Nos rios do meu corpo lavou-se da solidão que tingia sua pele,
fiz de mim seu leito abrigando seus sonhos em prazeres sem fim,
fui céu, vesti-me da lua, levei o brilho aos olhos que olhavam os meus
e o vesti de paixão ao tocar-lhe o corpo que nú chamava por mim.
 
Tracei as coordenadas da paixão gravando em sua alma o nome da minha,
mostrei os caminhos do meu corpo nas trilhas que o amor deixou,
 liguei seu destino ao meu na magia do prazer onde em amante o mantinha
e dei passagem aos passos que buscavam o abrigo que em mim encontrou.
 
Hoje sou verso e poesia pelas rimas da vida onde o amor me restou,
andarilha em vigília, sonho acordada os traços do homem que amei,
o mesmo canto e o vento anunciando o corpo que minha alma buscou
pelas sombras da paixão onde na realidade, a ilusão encontrei.
 
31/01/2006



Escrito por Aisha às 15h59
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Paz?
by-Aisha

Nas bombas que explodem,
o grito, o desejo,
sonhos desfeitos,
mutilação,
ilusões em branco e preto!
 
Procura caminhos os passos perdidos,
luta,  medo,
morte, dor,
palavras de paz sem fim nem começo,
ódio alimentando rancor.
 
A pipa no chão,
criança, destruição,
tua voz pede vida enquanto plantam morte,
nos ecos explodem
o choro, separação.
 
Sombras sem movimentos,
noite em pleno dia,
corpos no chão,
sozinha, a criança chora seu abandono,
caminha cego o sonho que desconhece a paz.
 
Grita o mundo nos acordes das guerras,
pede vida carregando a morte,
procura por  formas em reuniões tranqüilas
trancado o poder em salas seguras,
sem bombas, choros, ou crianças perdidas.
 
Planta o mundo um sonho de paz,
sonha também o menino perdido em meio à multidão,
na face, uma última lágrima
ao ver sua pipa rasgada
caída no chão.
 
12/02/2006



Escrito por Aisha às 15h58
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Passos errantes.
by-Aisha

Destino incerto dos meus passos errantes,
no vazio do caminho sigo apressada.
Nada sei do nada que conta meus instantes
nas horas do tempo que coroam minha estrada.

Imagens soltas nas linhas do tempo,
mostram-me os abstratos dos vagos pensamentos,
olho em todas as direções, nada vejo
além dos horizontes buscados por cegos lamentos.

Sigo em nada nos espaços do vento,
não sou, nem serei o que fui ou desejei,
carrego o meu destino tocado a lamentos,
tudo é passado nas tempestades sem fim.

Dissipo as sombras no nada que reveste o momento,
caminho entre o nada e a escuridão sem fim,
busco a força nas noites que habitei,
no vazio, o ponto é o final que trago em mim.


14/01/2006



Escrito por Aisha às 15h58
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O amor que tu me tinhas
by-Aisha
 
 
Como brincadeira de roda, girei as rodas da paixão,
não sei ao certo onde te encontrei,
se foi meu o destino, ou o teu,
e no amor que conheci, fiz do meu canto novo amanhecer.
 
 
Então sonhamos como crianças em férias,
dançamos na melodia de hoje(s) sem fim,
novos amanheceres, uns nem tão novos assim
e o amor que tu me tinhas aumentando o amor que eu tinha por ti.
 
 
Na roda que cantava nossa paixão, o gosto do beijo,
na voz, o desejo em acordes maiores, acordando o corpo dormente,
abracei-te com as asas inocentes que só o amor pode ter,
mostrei meu mundo, minhas cores, os sonhos,
uns ainda inacabados aguardavam pelo "gran finale",
talvez último ato de um corpo que vestido das lembranças mantém-se ainda quente.
 
 
Onde está agora o amor que tu me tinhas?
Brincadeira de criança, roda cantada sem o encanto que me amou.
Nessa nossa fantasia, somos bruxos, piratas, uma vida que caminha,
ou não somos nada quando rasgamos as vestes da ilusão,
tornamo-nos apenas crianças a brincar pelas manhãs
 nessa roda imensa que se chama paixão.
 
 
Hoje a roda já perdeu a graça,
rodo sozinha sem o canto da criança que em algum momento se perdeu,
te desenho  nos espaços que tenho em mim,
agora todos vazios depois que me deixou
e ao enxergar-te pelos olhos que o tempo me empresta, percebo,
que o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou...
 
 
 
31/01/2006



Escrito por Aisha às 15h57
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Novo encontro
by-Aisha
 
 
Quero beijar o sol,
os olhos falam de amor quando as bocas se encontram,
fecho hoje meu tempo depois de lhe ver,
calo os sentidos nos gemidos que enchem o quarto
atrasando as horas nos relógios que marcam o amor que faço valer.
 
 
Hoje marquei um encontro com a vida,
saí cedo, calcei meus sonhos e segui pela estrada que aporta o sol,
rasguei as vestes que prendiam minhas asas às noites nas quais não tinha você,
pisei o chão da minha alma, sentindo a força que tem o amor
e caminhei na insanidade dos que vivem sem prender-se a pequenos nós.
 
 
Mergulhei em rios de arco-íris, na nudez dos que não temem ser felizes,
refiz meu céu com as cores que trago em mim,
recriei os jardins dando novas formas as flores já envelhecidas pelo tempo
sorri, brinquei de ser criança falando sério nas rimas de uma poesia sem fim
e beijei o sol no encontro com a vida que levou-me a amar e ser feliz.
 
 
21/02/2006



Escrito por Aisha às 15h56
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Sombras do amor

by-Aisha

Hoje acordei vazia de mim mesma,
sem alma, sem luz, apenas um corpo margeando as ruínas que restaram.
Olhei o teto, continuavam lá os olhos que desenhei noite passada,
quando a vida em vigília arrancava-me dos sonhos
o desenho dos ontem(s) onde amei e fui amada.

Descanso a cabeça sobre o travesseiro frio,
as mãos quentes que acarinhavam meu corpo
perderam o calor no inverno que chegou sem avisar,
frio, pálido, sem vida, fantasma da noite mal dormida,
onde pelas sombras do quarto desenhei o amor.

Não quero as lembranças ainda vivas dos ontem(s)
nem tão pouco as esperanças mortas de um amanhã que não sei,
não quero mais sonhos sem vida ou imagens em paredes frias,
calo a voz nos abismos que se lançam sobre mim
libertando-me do que sou para tornar-me o amor que um dia sonhei.

Hoje acordei vazia de mim mesma,
o sol que me aquecia já não aquece mais...
Sou só uma sombra perdida
nas paredes do quarto onde seus olhos ainda me trazem paz...


Escrito por Aisha às 18h50
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